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20/08/2018
Uma experiência que conduz ao crescimento do HRCor

O médico cardiologista Flávio Vilela Diogo é um dos integrantes da equipe médica que fez a primeira cirurgia no Hospital Regional do Coração, de São Sebastião do Paraíso. Ele narra que de um trabalho em que poucos acreditavam as atuações passaram a ser constantes. O time hard sofreu modificações, mas se mantém em atividade, de forma crescente, vislumbrando novos procedimentos e credenciamentos para continuar atender cada vez mais um maior número de pacientes. “Temos feito parcerias, intercâmbios com outras instituições e buscado a habilitação de novos serviços para ampliarmos o leque de atendimento ofertado para um maior número de pacientes em todo o Estado de Minas Gerais”, anuncia. 
Flávio Vilela relembra com riqueza de detalhes de como foram os preparativos para a primeira cirurgia no HRCor. A paciente veio transferida para um serviço de referência em Paraíso. “Aqui no nosso hospital ao avaliarmos o resultado do cateterismo dela percebemos que o melhor tratamento seria a implantação de uma ponte de safena, o que foi indicado, pois, já tínhamos a equipe pronta  e definida”, conta.
Antes do procedimento, naquele ano de 2013 em janeiro foi dado início as atividades do grupo de cardiologia para o Hospital do Coração para exames de cateterismo, angioplastia e exames complementares cardiovasculares. Em março daquele ano, a pedido da diretoria do hospital deu-se o início às cirurgias. Através da equipe do cardiologista Mario Iza, do Hospital Dante Pazanese e do cirurgião cardiovascular Márcio Pimentel Fernandes, do Hospital de Base, de São José do Rio Preto que integraram a equipe local no início dos trabalhos em Paraíso.
Na época conforme Flávio formou-se um grupo de 20 médicos e cerca de 50 enfermeiros que participavam das primeiras equipes de trabalho. “Teve quem olhando de fora chegou a dizer que éramos malucos de fazer uma cirurgia cardíaca aqui, que não daríamos conta. Hoje nós estamos almejando o segundo lugar em Minas Gerais no atendimento a pacientes com problemas no coração”, compara. Ele atribui à garra e a dedicação e ao empenho de todos envolvidos o fato de um hospital de uma pequena cidade do interior como Paraíso apresentar um número maior de atendimentos do que cidades maiores, como Uberlândia, por exemplo.
Para o cardiologista aquilo que para muitos se tornava um sonho ou devaneio ou algo fora da realidade, atualmente passou a ser percebido como um trabalho consolidado. “Começou, cresceu e é um atendimento que se mantém, mesmo tendo passado por um período de dificuldade onde os trabalhos chegaram a ser suspensos devido a crise financeira do hospital, mas que foi retomado e segue com grande potencial de crescimento em vários horizontes”, diz Flávio Vilela. “A tendência é de desenvolvimento, temos potencial para dobrar o atendimento. Claro que precisamos de apoio, aporte financeiro para reformas e ampliações físicas das instalações o que é possível de se fazer e principalmente com as equipes de trabalho, desde que sejam acrescentados alguns profissionais e mais leitos”, enumera. 
Assim como há cinco anos tudo requer preparação. “Naquela época a equipe de anestesia se preparou por 15 dias para padronizar o atendimento, nós da equipe cardiológica também fizemos treinamentos para cuidados pós-operatórios”, relata. Desta forma o procedimento foi realizado com sucesso e assim a paciente ganhou a indicação de sobrevivência para os próximos 10 a 20 anos. “Fizemos as correções das lesões coronárias com enxertos, com a anostomose para que fosse mantida a circulação que nutre o coração e fosse mantido o bombeamento do sangue para todo o corpo”, descreve.
Sucessivamente foram surgindo novos pacientes e outros procedimentos ocorreram tendo ganhado escala gradativa crescente, de dois casos por semana, depois três e atualmente cinco.  “Atuamos na terça com dois casos, um na quarta e dois na quinta-feira”, enumera o cardiologista.  Materiais cirúrgicos foram adquiridos em maior escala para atender maior volume de cirurgias realizadas. “Foi então que começamos a atender pacientes não só de Paraíso ou do Sul de Mi-nas, mas vieram pessoas do Triângulo Mineiro, Alto Para-naíba e foram bem atendidos”, completa. 

 

REERGUIMENTO
Entre os anos de 2014 e 2015 devido a dificuldades financeiras vividas na Santa Casa de Misericórdia, mantenedora do Hospital do Coração, a manutenção da instituição chegou a ser colocada em risco. Foi necessário por um período de cerca de três meses suspender as cirurgias cardíacas. Flávio conta que foi graças ao apoio político que a unidade conseguiu se reerguer através de uma melhora no teto SUS, o que possibilitou a retomada e ampliação dos atendimentos. “Formamos uma nova equipe de trabalho através dos cardiologistas Frederico Nunes, Tiago Paraíso e Thiago Bregues que assumiram  o serviço e deram continuidade ao serviço”, destaca.
O chamado Hard Time também vem se preparando para atender com melhor qualidade e aumento do volume de produtividade. “Atingimos hoje a média de 20 a 25 cirurgias cardíacas por mês e a tendência é elevar cada vez mais a quantidade a ponto de duplicarmos os atendimentos”, acrescenta. Segundo o cardiologista metade das cirurgias são de revascularização, pontes de safena e, a outra metade, em média refere-se a trocas de válvulas ou correções de defeitos congênitos como CA e CV (Comunicação Arterial e Comunicação Ventricular). Os implantes de marca passo são feitos pela mesma equipe e indicação da cardiologia clínica por isso a gente chama de time do coração.
A partir da indicação clínica que define o paciente como cardíaco cirúrgico também há a indicação para qual tipo de atendimento deverá ser submetido. Conforme levantamento 88% dos pacientes tratados clinicamente com pequenos procedimentos como cateterismo e apenas 12% são os que realmente são submetidos às intervenções mais complexas, as chamadas cirurgias cardíacas. 

 

ESTRUTURA PARA CRESCER 
Para Flávio Vilela a estrutura do HRCor suporta 30 pacientes com enfermaria de cardiologia. “São poucos hospitais que destinam 30 leitos  exclusivamente para pacientes do coração . Precisam ser hospitais vocacionados para este tipo de tratamento  e temos uma UTI cardiológica com 11 leitos especializada no tratamento de pacientes recém operados”, cita.  Também estão sendo atendidos alguns casos de quem precisa de implante de marca passo, como aqueles que necessitam do choque cardiogênico, quando o paciente perde completamente a força de bater o coração e precisa de atendimento especializado . “Por isso a importância de ter sido inaugurada UTI Cardiológica”, aponta.
O hospital de Paraíso recebeu nesta semana a visita de um cardiologista ligado ao INCOR de São Paulo. “Ele ficou surpreso com a qualidade da nossa estrutura física e admirou-se por termos numa cidade do interior uma UTI Cardiológica com o padrão apresentado, com todo equipamento necessário e preparada para poder ficar 24 horas de plantão, em revezamento, para que os nossos pacientes tenham o melhor atendimento”, disse Flávio. Esta condição vai abrir novos horizontes e perspectivas para que o HRCor tenha novas parcerias e intercâmbios com instituições renomadas.
Pelos números apresentados e com capacidade de dobrar o atendimento, junto é necessário ampliar também o conhecimento. “O que desejamos é cada vez mais aumentarmos o vínculo com instituições de ensino, com as faculdades de medicina, ligados ao INCOR SP, é uma forma de estarmos ligados ao conhecimento aos grupos de pesquisas. Temos muitos pacientes que podem ser incluídos nas pesquisas científicas e são elas quem ditam as diretrizes de tratamento” observa o cardiologista. 
O tratamento oferecido no HRCor obedecem normas  e guidelines  que são feitas pelos melhores especialistas, professores de cada segmento,  de cada especialidade. “Se pudermos participar com nossos pacientes nestes estudos ligados a instituições de ensino, as Faculdades de Medicina, para nós será um ganho de conhecimento enorme para a equipe médica e nos fará aprender mais e cuidar melhor dos nossos pacientes”, ressalta. Com isso a tendência é que o Hospital do Coração cresça em volume de atendimento de pacientes, mas também cresça  em qualidade ligada a grandes instituições de ensino como o Hospital das Clínicas, o HC de Ribeirão Preto. “Já temos médicos de lá trabalhando conos-co, é uma realidade. Isso é um vinculo, uma porta aberta para que tenhamos uma ligação na área da pesquisa e ao ensino”, acrescenta. 
Enquanto médico cardiologista Flávio Vilela se diz uma apaixonado pela profissão e pela equipe de trabalho que coordena no HRCor ele sonha com o crescimento da unidade, mas defende que o apoio deve vir de toda a comunidade. “Esta instituição se for abraçada por todos em Paraíso, pela região, pelas prefeituras que encaminham seus pacientes para tratarmos aqui e que tem esta confiança na nossa equipe para tratar seus pacientes, com certeza a gente consegue dobrar o atendimento e nos referenciarmos cada vez mais para prestarmos serviços de qualidade à população”, descreve.
Ele diz que há sim muitos motivos para se comemorar. “Quem já passou por aqui, quem teve um familiar, amigo ou conhecido que foi atendido é quem pode dizer como é feito o tratamento para as pessoas quando elas chegam aqui em estado grave e é isso que a população de Paraíso e região precisa enxergar”, anuncia. 
Flávio defende o apoio incondicional à instituição para que ela se torne cada vez mais viável e que continue prestando seus serviços como se propôs. “Todos sabemos que apenas com recursos do SUS o hospital não consegue ser viabilizado, ele não consegue sobreviver. Temos que de forma regional investir na qualidade do atendimento, pois, somos uma instituição capaz de atender aos moradores daqui e os que vierem de outros lugares e isso se dá com todos abraçando e a fortalecendo para que ela continue funcionando a exemplo do que é feito no Hospital do Câncer de Passos, no Hospital de Barretos, o nosso hospital precisa ser abraçado, acolhido pela comunidade para que ele continue a prestar este serviço  tão importante para a sociedade”, finaliza.

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